O PT e a relação com Israel e os países árabes

Anos atrás o governo de Israel designou para ser embaixador no Brasil o diplomata Dani Dayan. Todavia, o governo brasileiro de Dilma Roussef (PT) mostrou objeção para que Dayan assumisse suas funções em Brasília.
 
A indicação feita pelo primeiro ministro israelense Benjamin Netanyahu causou polêmica pelo fato de Dani Dayan ter sido morador em um assentamento na Cisjordânia, área que é reivindicada pelos árabes palestinos. O PT discorda veementemente da existência desses assentamentos.

 
A atitude do Brasil neste episódio deixou marcas nas boas relações que Brasil e Israel sempre tiveram, desde sua fundação, em 14 de maio de 1948.
 
Mas não chegou a ser novidade a reação brasileira, visto que muito se fala do desgaste na relação entre o Brasil e Israel durante os governos de Luís Inácio Lula da Silva e Dilma Roussef.
 
Cita-se, por exemplo, a primeira viagem de Lula da Silva ao Oriente Médio, após assumir a presidência da República, em dezembro de 2003. O ex-presidente foi à região, encontrou-se com os ditadores Muammar Kaddafi, da Líbia, a quem chamou de “amigo e irmão”, e Bashar al-Assad, da Síria, entre outros, na tentativa de fortalecer os laços comerciais com esses países. Sequer foi a Israel, democracia mais forte na região.
 
Ainda em 2003, o Brasil propôs a criação da Cúpula América do Sul – Países Árabes (ASPA), objetivando a aproximação entre as lideranças políticas e da sociedade civil dos países da América do Sul e dos países árabes, deixando Israel, importante parceiro de décadas, fora do agrupamento. Um erro, visto que o Brasil poderia ter sido um importante mediador entre os dois povos, fazendo-os sentar à mesma mesa. O governo brasileiro escolhe um lado da briga, não busca mediar. Contrariando a vocação conciliadora do povo brasileiro e a sua diplomacia.
 
Lula e o ex-terrorista da OLP, Yasser Arafat

Mas não termina aí. Em sua visita a Jerusalém, em 2010, Lula quebrou o protocolo ao não visitar o túmulo do fundador do movimento sionista Theodor Herzl, causando enorme constrangimento. E, como se não bastasse, dois dias depois foi à cidade de Ramallah, na Cisjordânia, depositar flores no túmulo do árabe egípcio Yasser Arafat, ex-presidente da Autoridade Nacional Palestina, demonstrando nitidamente sua inclinação à questão palestina. Mais uma vez: vocação beligerante. Quer dizer o que os povos devem fazer e não cumpre a determinação constitucional de que o Brasil deve defender a autodeterminação dos povos, sendo um dos princípios elencados no artigo 4 da Constituição da República que o Brasil deve nortear suas relações internacionais.

 
Lula deposita flores no mausoléu de Yasser Arafat
Já durante o primeiro governo de Dilma Rousseff, a relação com Israel estremeceu visivelmente em 2014, diante das críticas feitas pela presidente ao governo de Israel, após a força aérea de Israel atacar pontos em Gaza, em resposta aos ataques feitos com foguetes pelo grupo Hamas que atingiram o território israelense. O governo brasileiro considerou os ataques de Israel ‘desproporcionais’, repudiando ambos os lados, mas não citou as centenas de foguetes disparados pelos integrantes do Hamas.
 
O exército israelense, com muito investimento e tempo de seus cientistas, desenvolveu tecnologia para interceptar estes mísseis de grupos terroristas no ar, ficando a questão para a nossa: seria proporcional se as centenas de mísseis alcançassem o território israelense matando centenas de judeus? A lei da anistia no Brasil, por exemplo,  anistiou crimes dos dois lados, mas não mudou caráter de ninguém. O mensalão e o petróleo que o digam.
 
Tais críticas feitas pelo Brasil a Israel, em 2014, foram bem recebidas pelos integrantes  do Hamas, levando um representante do grupo a emitir um comunicado elogiando o ato do governo brasileiro. Além das críticas, o Brasil decidiu convocar o embaixador brasileiro em Israel, para consultas. Este tipo de medida tem como objetivo mostrar o descontentamento do governo brasileiro com o outro país. E esta atitude do governo brasileiro levou um porta-voz do ministério das Relações Exteriores de Israel a chamar o Brasil de “anão diplomático”, complicando ainda mais a situação.
 
E para azedar de vez a relação, ocorreu, então, no segundo governo de Dilma Rousseff, a já citada rejeição do diplomata Dani Dayan como embaixador de Israel no Brasil.
 
Daí fica a conjectura: “E se a Autoridade Nacional Palestina (ANP) enviar para sua representação diplomática no Brasil um integrante do Hamas que abertamente prega a destruição de Israel, qual seria a atitude do Brasil, então governado pelo PT? Iria aceitá-lo?”
 
Ressalta-se que em 2011, no primeiro ano do governo de Dilma Rousseff, ao palestrar em uma faculdade em São Paulo, o embaixador da ANP no Brasil, Ibrahim Alzeben, disse que ‘este Israel deve desaparecer’, e não houve alguma reação pública de reprovação por parte do governo brasileiro. E agora? Dois pesos e duas medidas?
 
Fato é que a não aceitação do embaixador israelense em 2014 deu brechas para ser entendido como uma mensagem de que o Brasil apoiava o boicote proposto por algumas nações a Israel. Algo extremamente lamentável e que nos envergonha perante o mundo.
 
E um dia pensamos em fazer parte do Conselho de Segurança da ONU …
 

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Paulo Teixeira

Paulo Teixeira é carioca, administrador do blogholofote.com.br, cristão evangélico da igreja Assembleia de Deus e atua na internet como blogueiro e articulista, desde 2007, focando assuntos sociais, políticos e religiosos, analisando-os sob a ótica cristã. Licenciado em matemática pela Universidade Castelo Branco (UCB/RJ) e graduando em história pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Perfil no Twitter: PauloTeixeiraRJ

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